
Criatividade como a força motriz dos empreendimentos foi o tema abordado por Lyn Heward, presidente e diretora de operações da divisão de conteúdo criativo do Cirque du Soleil, na palestra de abertura do Fórum Mundial de Inovação, evento promovido pela HSM, a partir desta terça-feira, no Hotel Transamérica, em São Paulo.
Na abertura de sua apresentação, a palestrante leu um texto em português – sendo bastante aplaudida pela platéia ao término da leitura – e em seguida apresentou um breve histórico do Cirque du Soleil, criado em Quebec, no Canadá, em 1984. “Atualmente, são 3.500 funcionários, entre artistas e demais integrantes, que vivem e contribuem de maneira criativa para uma organização dedicada à criação. Trabalhando sozinhos ou em conjunto, eles aprendem a comover e se relacionar com as pessoas de novas maneiras. A aspiração é devolver ao mundo o que receberam, em um busca de mudanças contínuas, de renovação”, ilustrou Lyn Heward.
Exercício criativo - Segundo a palestrante, que decidiu abandonar a ginástica olímpica para se dedicar à empresa, para se tornar um integrante do Cirque du Soleil é necessário “abrir” sete portas. A primeira é a das expectativas elevadas. “Cada um tem uma fonte de criatividade interior. Somos todos criativos, mas é um pouco como fazer exercício; temos de praticar todos os dias. Todos temos sonhos, desejos, todos estamos em busca de algo, mesmo que não sabemos bem o que é. Mas estamos atentos a essa sensação. É algo que chamamos de antena criativa”, explicou.
A segunda porta leva ao despertar dos sentidos, a vivenciar cada experiência e a desenvolver os instintos intuitivos. “Só vamos progredir se nos deixarmos levar por estes instintos. Um dos meus colegas me disse uma vez: ‘Lyn, você já esteve nove vezes na China, mas nunca visitou a China. Amanhã iremos conhecer a muralha da China’. Não sabia o que esperar desta visita, pois estava muito frio. Mas ao chegar lá senti o cheiro de uma refeição matinal, vi uma outra pessoa fazendo tai chi chuan. Daí fechei os olhos e pude ouvir o tropel de milhares de cavalo do outro lado da muralha do exército de Genghis Khan. Foi uma visão extra-sensorial. Eu pude ‘sentir’ o que é a China. Essa pequena experiência se tornou uma inspiração”, relatou.
Caça ao tesouro - A terceira porta refere-se à busca incessante por talentos, denominada de caça ao tesouro, e por idéias e inspiração transformadoras. “Buscamos valor agregado nas pessoas, potencial, o que a faz diferente dos outros. Esta atividade de casting (busca por talentos) é uma atividade mundial e que dura o ano inteiro. Um dos maiores achados do Cirque du Soleil foi aqui no Brasil: uma moça que se enrola e se pendura em uma corda e que canta ao mesmo tempo uma canção muito provocante”, contou.
Para “abrir” a porta da transformação criativa, Lyn Heward apresentou as “chaves”: trabalhar fora da zona de conforto; tentar algo novo; não se repetir nunca; e aplicar sua criatividade nas tarefas cotidianas. “A melhor definição vem da história de Michangelo. Questionado sobre a perfeição de David, sua obra mais famosa, ele disse: ‘David já estava dentro da pedra. Foi só tirar as partes em excesso que não faziam parte de David’”, ilustrou.
Para “abrir” a porta da transformação criativa, Lyn Heward apresentou as “chaves”: trabalhar fora da zona de conforto; tentar algo novo; não se repetir nunca; e aplicar sua criatividade nas tarefas cotidianas. “A melhor definição vem da história de Michangelo. Questionado sobre a perfeição de David, sua obra mais famosa, ele disse: ‘David já estava dentro da pedra. Foi só tirar as partes em excesso que não faziam parte de David’”, ilustrou.
A quarta porta diz respeito à criação de um ambiente estimulante, que favoreça a criatividade, revigorada em grupos de trabalhos nos quais as pessoas possam primeiro se conhecer e depois confiar umas nas outras. “Criatividade verdadeira requer estímulo e colaboração. Por isso, é fundamental uma atmosfera aberta e convidativa. A estrutura física e a decoração playground são estimulantes e inspiradores. A idéia é a de criar essa explosão criativa entre as pessoas, essa sinergia, algo que pode levar de três a seis meses”, explicou.
Conectado com o mundo - Atender às expectativas, relacionar-se com o consumidor, inclusive lidando com as restrições e diferenças entre eles, com o objetivo de se tornar um catalisador criativo é a função da quinta porta. Segundo a palestrante, o Cirque du Soleil tem de estar conectado com o mundo, porque ele fornece toda a inspiração. “Cada espetáculo criado baseia-se na realidade pela qual o mundo está passando naquele momento. As questões sociais têm impacto; as importações culturais trazidas por cada artista de todos os cantos do mundo fomentam o nosso produto”, completou.
Correr riscos é o que preconiza a sexta porta. “Criatividade em primeiro lugar é coragem”, resumiu Lyn. Para a palestrante, devemos aproveitar a credibilidade conquistada ao longo de vários anos para assumir os riscos e talvez até cometer erros esporádicos, com o objetivo de alavancar a criatividade e a credibilidade.
Para finalizar, Lyh Heward apresentou a porta, a sétima, da renovação contínua dos produtos. “Para manter o frescor de cada espetáculo, mesmo os com mais tempo, são necessárias sempre pequenas mudanças para dar continuidade ao mesmo. Temos que nos comprometer com esta renovação do produto.”
Para tal finalidade, é preciso expor os funcionários ao produto, encorajando neles o sentido de propriedade, cultivando o orgulho e compartilhando o sucesso. “É muito importante que cada um se sinta parte de deste processo. No Cirque du Soleil, por exemplo, fazemos várias atividades neste sentido. Em uma delas, por exemplo, os funcionários preparam um espetáculo para os artistas assistirem”, finalizou.
24/04/2007
Fotos: Lola Studio / Zen
Um comentário:
intiresno muito, obrigado
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